Rua em Silêncio

A noite desceu sem pressa,
vestindo de azul escuro o céu,
como quem conhece o valor
das palavras que nunca foram ditas.

As casas antigas permanecem de pé,
guardando histórias nas paredes caiadas,
janelas fechadas por fora,
mas abertas à memória de quem passou.

O calçamento, gasto por incontáveis passos,
não reclama do tempo.
Sabe que cada pedra
é uma página escrita pelos dias.

Os postes acendem pequenas luas,
espalhando claridade suficiente
para que a esperança encontre o caminho,
mesmo quando a cidade parece dormir.

Há uma paz que não faz barulho.
Ela mora nas ruas vazias,
no vento que passeia entre as fachadas,
na ausência de pressa.

Talvez a vida seja isso:
continuar iluminando o caminho,
mesmo sem saber quem passará por ele amanhã.

E quando tudo parece imóvel, a cidade ensina, em silêncio, que a beleza não precisa de multidões. Basta uma rua antiga, uma luz acesa, e um coração disposto a caminhar devagar.

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